
Bom, pra quem não sabe, esta semana comecei meus estudos teológicos no seminário³. Porém de uns anos pra cá eu sempre procurei ter uma compreensão das vertentes, dos pontos de vista de diferentes clérigos e teólogos, diferentes pontos de vista sobre diferentes áreas. E o que ando mais vendo é uma falta gigantesca de objetividade. Digamos que estão surgindo teólogos malmsteenianos.
Aí você, que não é do metal, nem tr00, nem está lá honrando a cena comprando a demo-tape de 1974 daquela banda obscura sueca de technical-power-progressive-metal deve estar se perguntando quem é malmsteen e o que raios isto tem a ver com teologia.
Lars Johan Yngwie Lannerbäck, conhecido por Yngwie Malmsteen é um guitarrista. Um BAITA guitarrista. Virtuoso, com uma técnica absurda, que é referência pra outros ótimos guitarristas mundo afora. Referência no metal neoclássico/speed metal e outros trocentos rótulos que são dispensáveis neste texto, é um cara que é considerado quase um deus para os aprendizes-de-guitar-heroes mundo afora.
Ok, isto não deve responder muita coisa, mas vamos continuar: Como disse, ele virou referência pra vários outros guitarristas, que deram (e ainda dão) um valor extremamente gigante para a técnica, para a velocidade, para as habilidades monstruosas nas escalas, nos solos, nos riffs... e se esquecem que música TAMBÉM entra o sentimento, aquele tal de feeling, sabe?
E aí que entra a história toda - muita gente se empolga na teologia e dá um valor gigantesco pra coisas que sim, são importantes, mas que estão atrás de muitas outras que acabam sendo deixadas de lado. Galera se preocupa muito com discussões do tipo calvinismo x arminianismo x teísmo aberto, liberalismo x fundamentalismo, teologia sistemática x teologia da libertação, teonomia x missão integral, Supralapsarianismo x Infralapsarianismo, pré-milenismo x pós-milenismos e ARGH! Cadê a prática, cambada?
Perdemos muito tempo com discussões que as vezes não dão em nada. Claro, debates são importantes, discussões são úteis na formulação de idéias e na construção de soluções e idéias relevantes e que trazem crescimento para as comunidades locais. Isto é óbvio. Mas se preocupar exclusivamente com estas coisas e esquecer do amor ao próximo, da atenção aos órfãos e as viúvas, de preocupar em ser luz no mundo (enquanto os debates as vezes revelam mais a podridão dos esquentadinhos do que a Luz do Mundo que está ou deveria estar nos teo-gladiadores).
"A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo."
Tiago 1:27
Não, não acredito em salvação por obras, PORÉM o que a gente faz revela muito acerca do que a gente cre.
"Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta."
Tiago 2:26
Que possamos pensar e dialogar sim sobre a teologia, mas sem JAMAIS esquecer do amor, da prática, do cuidado, e de fazer a diferença nesse mundão véio sem porteira, porque de malmsteen o mundo já tá cheio.
Té Mais.
¹ Eu acredito total que isto não se encaixa só na teologia, como em praticamente todos os campos de ciências humanas. Aliás, acho que tudo que envolve teoria e blá blá blá
² Na real, eu preferia colocar o Michael Romeo, do Symphony X. Eu o acho muito mais firulento
³ Se alguem vir com "AIN EU VI VC TODO ESQUENTADINHO DISCUTINDO AFF", Vei to escrevendo isso INCLUSIVE pra mim, belê, abs :)
Publicado primeiramente aqui.
